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MARCELO VILHENA SE DESPEDE DAS CATEGORIAS DE BASE DO BAHIA E APRESENTA IMPORTANTES NÚMEROS

MARCELO VILHENA SE DESPEDE DAS CATEGORIAS DE BASE DO BAHIA E APRESENTA IMPORTANTES NÚMEROS

Marcelo Vilhena, Gerente Técnico das Divisões de Base do Esporte Clube Bahia, que se despede do cargo nos próximos dias, postou em suas redes sociais, texto em sete partes, apresentando importantes números sobre sua passagem no clube.

O gerente foi informado de seu desligamento do clube, pelo presidente, Guilherme Bellintani.

Acompanhe na íntegra:

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados (1a Parte)

Com muito orgulho que começo a me despedir do comando das Divisões de Base do Esporte Clube Bahia.

Como já noticiado e explicado pelo nosso presidente, Guilherme Bellintani, encerraremos o meu ciclo deste comando no final deste mês.

Contudo, antes de me despedir oficialmente deixarei algumas informações registradas.

Já faz algum tempo que tenho ouvido que os resultados da base foram ruins na minha gestão. A nível nacional nós não atingimos o nível que esperávamos, mas no nível regional a história foi outra.

Em 2 anos fomos:
– Bicampeões Baianos Sub-20 (2018 – 2019);
– Bicampeões Baianos Sub-15 (2018 – 2019);
– Bicampeões da Copa Metropolitana Sub-15 (2018 – 2019);
– Bicampeões da Copa Furacão Sub-15 (2018 – 2019);
– Campeões de Copa Itagibá Sub-15 (2018);
– Campeões da Copa Dente de Leite (2018);
– Campeões Baianos de Futsal Sub-13 (2018);
– Campeões Baianos de Fut7 Sub-13 (2019);
– Bicampeões Baianos de Futsal Sub-11 (2018 e 2019);
– Campeões Baianos de Fut7 Sub-11 (2019);
– Campeão da Salvador Cup Kids (2019);

Isso sem contar os títulos na Taça Aracajú Nordeste de Futsal, na Redeball, na JW7 e na Taça das Favelas, de diferentes categorias que somaram, juntas, mais 8 títulos.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 2a Parte

Promovemos uma invasão tricolor em Salvador e na Bahia por meio da minha iniciativa de ativar a iniciação do clube. Desde agosto de 2018 o Bahia conta com pólos de iniciação e com uma nova rede de Escolas. Ambos fazem parte do “Programa Talentos de Aço”. Crianças de até 14 anos podem, desde o ano passado, vestir a camisa tricolor praticando 3 modalidades (Futsal, Fut7 e Futebol) em 4 pólos de iniciação (FSA [Feira de Santana], Fundação José Carvalho [Pojuca], ISBA [Salvador] e JEAN NARDE [Lauro de Freitas], e em 7 escolas, espalhadas pela Bahia (Barreiras, Eunápolis, Lauro de Freitas, Porto Seguro, Remanso e Salvador). A rede de escolas, que é conduzida em parceria com a Fity Assessoria Esportiva, uma empresa extremamente reconhecida no ramo, pode ser considerada uma das melhores em metodologia do país e se encontra em expansão.

Além dessa importante ação, avançamos muito nos processos realizados FORA de campo:

– Convocações CBF
Batemos o recorde de convocações e de convites para fazermos parte das Seleções Brasileiras de base ou de eventos da CBF nesses dois anos. Os atletas Brumado, Ramires, Douglas Torres (Borel), Allyson, Kauã, Gabriel, os integrantes das comissões Ângelo (preparador físico), Fernando Oliveira (treinador), Rafael Allan (treinador), Rafael Garcia (Médico), Uendell Macedo (analista de desempenho), as profissionais Aline Castro (Psicóloga Social), Millena Pinheiro (pedagoga) e este, que vos fala (Gestor), foram convocados.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 3a Parte

– Formação Humana x Formação Esportiva
Um importante processo de formação humana, realizado de maneira paralela ao processo de formação esportiva foi iniciado. Trabalhamos, de maneira sistemática, 4 eixos (- Corpo e Mente, – Cidadania e Consciência, – Cultura e Artes; e – Educação Formal e Educação Técnica) que são de fundamental importância para a formação do homem que será, ou não, um atleta. Temos a convicção de que os atletas que atingirem o alto nível serão mais profissionais e trarão mais retorno ao clube (esportivo e financeiro) e os que não chegarem a esse nível se tornarão homens melhores. 4 eixos de formação esportiva (- Técnico; – Tático; – Físico; e – Comportamental) também têm sido trabalhados diariamente. A mudança para a Cidade Tricolor, que estamos preparando com muito cuidado, possibilitará ao clube avançar muito em todos esses eixos, humanos e esportivos. Acredito que o clube nunca tenha se preocupado tanto com a formação humana dos seus atletas como nesta gestão. Por termos muitos atletas oriundos de Salvador, capital com o 18° IDH do país (ficando a frente apenas das capitais do Norte e de algumas do Nordeste), oriundos da Bahia, estado do país com o 22° IDH do país, e oriundos de outros Estados do Nordeste, assumimos a responsabilidade de “cuidarmos” de nossos atletas de forma mais incisiva. A frequência e o rendimento escolar, por exemplo, foram cobrados de maneira agressiva. Estamos indo para uma competição nacional, em Pernambuco com o nosso Sub-13 e Sub-15 “desfalcados”. São 8 atletas, muitos titulares, que não viajarão pois estão em recuperação. Para os empresários que são, muitas vezes, sangues-sugas de “atletas em potencial”, isso não é tão bom. Eles estão mais preocupados com o retorno financeiro que o atleta pode dar do que com o desenvolvimento pessoal do garoto que representa. Muitas vezes o torcedor pensa da mesma forma. Como pai não posso ser conivente com essa situação.Não é por acaso que o nosso Programa de Desenvolvimento Humano é tão reconhecido. Me orgulho em dizer que já somos, neste item, referência nacional.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 4a Parte

– Reformulação dos Elencos
Também começamos a reformular os elencos e a buscar a formação de um novo perfil de atleta. Infelizmente não conseguimos reformular mais. Contratos longos e onerosos dificultaram bastante. Boa parte da reformulação estrutural nas categorias já foi feita e outra parte deverá ser concluída em 2020. Menos de 10% dos muitos atletas que liberamos nesses 2 anos estão empregados em equipes da série A ou B do país. Cerca de 40% deles nem está jogando mais. E o restante está jogando em equipes da capital e do interior do estado. Alguns jogaram contra nossas equipes e jogaram bem, mas estão longe de serem jogadores de alto nível. Mas, para os críticos ao nosso trabalho parecem que jogam no Barcelona. Fica aqui o registro meus amigos, não jogam no Barcelona e nem em nenhum time da série A do Brasileiro. Arrisco a dizer que nunca jogarão. A maior parte não tem nível. Talvez terão no futuro, mas hoje não. Infelizmente alguns, ou muitos, a maior parte leigos do futebol se apoiam no nosso rendimento para “piorar” o contexto. Puro oportunismo ou perseguição.

– Captação
A ampliação do setor de captação foi uma outra conquista da base. Ainda longe do ideal, conseguimos triplicar nossa capacidade de operação aumentando a competitividade no setor. A vinda de um profissional, reconhecido nacionalmente, facilitou a vinda de atletas interessantes para o clube.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 5a Parte

– Aumento do Nível Competitivo
Falam tanto do nosso Sub-17, e quando falam do nosso Sub-15 dizem no mínimo que ele é “bonzinho”. O que falar de uma equipe que só na fase final fez 32 gols e sofreu 2? A fase final do Sub-15 foi um massacre e mostrou a nossa superioridade no projeto que é “de nossa inteira responsabilidade”. Aliás, é importante ressaltar que essa supremacia não foi alcançada por acaso. Desde o ano passado nossas equipes, principalmente as menores, tem saído do estado para competir em nível nacional. Nossas gerações 04 e 05 já competiram 7 vezes em nível nacional. Aumentamos a qualidade dos confrontos para garantir um melhor processo de formação e “subir a régua” da nossa avalição interna. Apesar disso, parte das pessoas, desinformadas ou mal intencionadas usaram a campanha do Sub-17 para desestabilizar e conseguiram. Quem sabe com a minha saída a pressão sobre o meu grupo de trabalho, a maioria da casa, diminua. O interessante é que nunca falaram que nosso rival foi 20 vezes campeão baiano da categoria Sub-17 e que nós só tivemos, em toda a nossa história, 7 conquistas estaduais. Essa diferença é histórica, não é só minha e vamos reverte-la, com o tempo, mas infelizmente não foi possível ainda. De qualquer forma é importante dizer que estas informações não são e nem seriam divulgadas. Farei questão de divulgar, em um futuro próximo, as estáticas da história da base tricolor em competições para desmistificar o que muitos dizem por aí.

– Qualificação Profissional
Também me preocupei com a formação do meu grupo de trabalho. Contratamos, por exemplo, 2 profissionais, um preparador físico e fisioterapeuta, referências no mercado nacional para ministrarem 6 workshops de preparação do atleta. Os encontros específicos para preparadores físicos, preparadores de goleiros e fisioterapeutas, e aberto aos demais membros da comissão serviram para qualificar o trabalho de todos. Vários profissionais tiveram a oportunidade de fazerem cursos externos em parceira com o clube. Tenho a convicção que “meus profissionais” nunca foram tão conectados, comissões e departamentos, como em minha gestão.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 6a Parte

– Novos Profissionais
Outro ponto destacado por pessoas sem informação diz respeito aos profissonais que contratei. Muitos dizem que eu só contratei profissionais de fora mas isso não procede. Contratei 4 analistas de desempenho, 2 coordenadores (um que já não está no clube), 2 fisioterapeutas, 1 médico, 1 preparador de goleiros, 1 preparador físico e 2 treinadores de iniciação, que são residentes em Salvador (13 novos profissionais). Contratei 2 treinadores (1 que já não está no clube), 2 coordenadores e 2 preparadores de goleiros que não eram residentes no estado. Foram 19 no total sendo 13 delas feitas com profissionais da casa. Posso dizer que fui muito mais cuidadoso, mas muito mais cuidadoso com a cultura e profissionais da Bahia do que foram comigo e com meus colegas de trabalho em uma ocasião semelhante, conduzida por um profissional conhecido daqui, anos atrás.

Mais uma série de pontos ainda podem ser abordados.

– Novos Processos
Muitos processos foram organizados e muitos processos foram implantados. A maior parte deles foram copiados por outros clubes que, direta ou indiretamente, evoluíram com a minha gestão. Posso dizer, com convicção, que os nossos adversários fazem, hoje, muito mais que faziam antes da minha chegada. Ativei inúmeras parcerias que acabou culminando com a geração de outras inúmeras parcerias conduzidas por outras agremiações. Nossas ações movimentaram Salvador e a Bahia. No final das contas, muitos estão colhendo os frutos das ideias que eu trouxe ao estado. Todos ganharam. Todos evoluíram. Todos se fortaleceram. Quem ganhou? Ganhou o futebol baiano. Ganhou o atleta de Salvador. Ganhou o Bahia. Ganhei eu que saio com a convicção que mexi em estruturas do futebol no estado. Não vim para ganhar uma Copa do Brasil Sub-20, Sub-17, um Campeonato Brasileiro Sub-20, Sub-17. Claro que faz parte do plano alcançar essas metas, mas se acontecesse agora seria obra do acaso. Vim para iniciar uma mudança cultural e estrutural necessária para a mudança de Status do Esporte Clube Bahia. E ela começou. Torço para que seja perene.

O Equilíbrio entre legado, processos e resultados – 7a Parte

Por fim, espero que as pessoas que me conheceram guardem a imagem de um homem de caráter, educado, honesto, humilde e com um enorme coração. Espero que guardem a imagem de um homem que veio para fazer o bem. Espero que guardem a imagem de um profissional respeitado que promoveu avanços importantes no clube, na cidade e no estado.

Deixo um grande abraço a todos os meus companheiros de trabalho e a todos os torcedores tricolores. Foi um orgulho trabalhar com e para vocês.